3 horas
6 porções
Médio
380 kcal
Ingredientes
- 1 peça de cupim (aproximadamente 1,2 kg)
- 2 colheres de sopa de azeite de oliva
- 4 dentes de alho grandes, picados ou amassados
- 1 cebola média, picada grosseiramente
- 1 colher de sopa de sal grosso (ou a gosto)
- 1 colher de chá de pimenta-do-reino moída na hora
- 1 colher de chá de páprica defumada (opcional)
- 1/2 xícara de chá de molho inglês (opcional)
- Água (o suficiente para cobrir o cupim na panela de pressão)
- Manteiga derretida para pincelar (opcional, para dourar)
Modo de Preparo
- Comece furando a peça de cupim em diversos pontos com uma faca. Isso ajudará o tempero a penetrar e a gordura a escorrer durante o cozimento. Se desejar, faça pequenos cortes superficiais na camada de gordura.
- Em uma tigela, tempere o cupim com o azeite, alho picado, sal grosso, pimenta-do-reino e páprica (se estiver usando). Massageie bem a carne para que os temperos se incorporem. Se for usar molho inglês, adicione-o neste momento. Deixe marinar por pelo menos 30 minutos em temperatura ambiente, ou idealmente por 2 a 12 horas na geladeira para intensificar o sabor.
- Em uma panela de pressão, doure a cebola picada em um fio de azeite. Adicione a peça de cupim temperada e sele todos os lados da carne até ficarem levemente dourados.
- Cubra o cupim com água na panela de pressão (cerca de 4 dedos acima da carne). Tampe a panela e, após pegar pressão, cozinhe em fogo médio por aproximadamente 1 hora e 30 minutos a 2 horas, ou até que a carne esteja muito macia, quase desmanchando. O tempo pode variar dependendo do tamanho e maciez da peça. Desligue o fogo e espere a pressão sair naturalmente.
- Retire o cupim da panela de pressão com cuidado e descarte o líquido do cozimento (ou reserve para um molho). Se a peça for muito grande, você pode dividi-la para que caiba melhor na airfryer.
- Pré-aqueça a airfryer a 180°C por 5 minutos.
- Coloque o cupim na cesta da airfryer. Se desejar uma casquinha mais dourada e saborosa, pincele a carne com um pouco de manteiga derretida.
- Asse na airfryer a 180°C por 30 minutos, virando a carne na metade do tempo (após 15 minutos) para dourar por igual. Se preferir mais crocante, aumente a temperatura para 200°C nos últimos 10-15 minutos.
- Verifique a maciez e o dourado. Se necessário, ajuste o tempo. Retire o cupim da airfryer, fatie contra as fibras e sirva imediatamente com os acompanhamentos de sua preferência.
Dicas do Chef
- Para um cupim ainda mais macio e saboroso, cozinhe-o na panela de pressão com caldo de carne ou legumes, além da água.
- Faça furos na carne antes de temperar para que os sabores penetrem melhor e a gordura entremeada possa escorrer, resultando em uma carne menos gordurosa na airfryer.
- Após o cozimento na pressão, se a peça for grande, fatie o cupim antes de levar à airfryer. Isso agiliza o processo de dourar e garante que todas as fatias fiquem com uma bela crosta.
- Experimente adicionar ramos de alecrim ou tomilho fresco junto com o cupim na airfryer para um toque aromático extra.
- Sirva o cupim fatiado com um molho chimichurri, vinagrete ou um molho barbecue caseiro para realçar ainda mais o sabor.
O cupim, com sua textura singular e sabor marcante, é um corte de carne bovina que ocupa um lugar de destaque na culinária brasileira. Não é apenas uma peça de carne; é um símbolo de festas, churrascos em família e da rica diversidade gastronômica do nosso país.
A Origem Zebuína e o Nome “Cupim”
A história do cupim está intrinsecamente ligada à criação de gado no Brasil. Diferente dos cortes mais comuns em outras partes do mundo, o cupim é uma característica proeminente de bovinos de raças zebuínas e seus cruzamentos, como o Nelore, amplamente difundido em terras brasileiras. Essas raças, originárias da Índia, são mais adaptadas ao clima tropical, e a “corcova” que se forma atrás do pescoço do animal é, na verdade, uma reserva de gordura dorsal.
O nome “cupim” é uma herança cultural e linguística. Deriva do termo tupi kopi’i, que significa “cupinzeiro”, em alusão à protuberância que se assemelha a um monte de terra construído por cupins. Essa particularidade não só batiza o corte, mas também destaca sua singularidade no cenário global da carne. Enquanto picanhas e costelas são encontradas em diversas cozinhas internacionais, o cupim é considerado, por muitos, uma exclusividade tipicamente brasileira, um verdadeiro tesouro gastronômico nacional.
Um Corte de Sabor Intenso e Textura Única
O que torna o cupim tão especial é a sua composição: uma mistura de fibras musculares entremeadas por uma generosa quantidade de gordura. Essa gordura, ao contrário de ser um obstáculo, é a grande responsável pela maciez, suculência e sabor intenso que o corte oferece quando preparado corretamente. É essa característica que faz com que, ao ser cozido lentamente, o colágeno e a gordura se desmanchem, transformando a carne em uma experiência gastronômica que derrete na boca.
Por muito tempo, o cupim foi visto como um corte “de segunda”, exigindo longos tempos de cozimento para amaciar. Antigamente, havia até um mito de que o cupim acumulava toxinas, uma crença que já foi desmistificada há décadas. Hoje, ele é amplamente reconhecido por chefs e amantes da carne pela sua versatilidade e pelo potencial de se transformar em pratos sofisticados e reconfortantes.
A Evolução do Cupim na Culinária Brasileira
Tradicionalmente, o cupim é um astro em churrascos, assado lentamente na brasa por horas a fio, muitas vezes envolto em papel alumínio ou celofane para reter seus sucos e garantir a máxima maciez. Também é um corte popular em preparos de panela de pressão, onde a cocção prolongada e úmida o transforma em uma carne desfiada e suculenta, perfeita para sanduíches, recheios ou como prato principal com molhos encorpados.
Nos últimos anos, o cupim tem conquistado a alta gastronomia brasileira, saindo do patamar de corte “simples” para ganhar técnicas refinadas e espaço em cardápios de prestigiados restaurantes. Chefs renomados têm explorado métodos como o sous vide e braseados de longa duração para realçar ainda mais suas qualidades, provando que paciência e precisão podem elevar este corte a um novo patamar de requinte.
Curiosidades e Variações Regionais
- Cupim Casqueirado: Uma das mais famosas variações do preparo do cupim é o “cupim casqueirado”, um prato típico da cidade de Araçatuba, no interior de São Paulo. Esse método envolve um preparo especial que resulta em uma casquinha crocante por fora e uma carne extremamente macia por dentro, sendo considerado um patrimônio imaterial da cidade.
- Versatilidade de Temperos: O cupim aceita uma vasta gama de temperos, desde o clássico sal grosso e alho, até marinadas mais elaboradas com cerveja preta, vinho, ervas frescas, molho inglês e especiarias como páprica e pimenta-do-reino. Essa versatilidade permite que cada cozinheiro personalize o prato de acordo com seu paladar.
- O Cupim e a Airfryer: A popularização da airfryer trouxe uma nova dimensão ao preparo do cupim. Embora o cozimento inicial em panela de pressão ainda seja recomendado para garantir a maciez, a airfryer se tornou ideal para finalizar o prato, proporcionando aquela crosta dourada e apetitosa sem a necessidade de uma churrasqueira ou de muito óleo. É a solução perfeita para quem busca praticidade sem abrir mão do sabor e da suculência.
- Um Corte Exclusivo: É importante ressaltar que raças bovinas europeias, como Angus ou Charolês, não possuem o cupim. Isso reforça a identidade brasileira do corte, que é um reflexo direto da pecuária zebuína predominante no país.
Em suma, o cupim é muito mais do que um corte de carne. É um elo com a história da pecuária brasileira, um exemplo da riqueza da nossa língua tupi e uma tela em branco para a criatividade culinária, que continua a encantar paladares em todo o país, seja em um churrasco tradicional ou em uma versão moderna e prática na airfryer.









