20 minutos
4 porções
Fácil
61 kcal
Ingredientes
- 500g de Pimientos de Padrón (ou Pemento de Herbón, se disponíveis)
- Azeite de oliva (o suficiente para cobrir o fundo da frigideira)
- Sal grosso ou flor de sal (a gosto)
Modo de Preparo
- Lave os pimentões cuidadosamente e seque-os completamente com um pano de cozinha ou papel toalha. É crucial que estejam secos para evitar respingos de azeite.
- Aqueça uma frigideira grande em fogo médio-alto e adicione um bom fio de azeite de oliva.
- Quando o azeite estiver quente, adicione os pimentões inteiros, mantendo os pedúnculos (cabinhos), pois eles servem como alça para comer o petisco.
- Deixe os pimentões fritarem, balançando a frigideira de vez em quando para que rolem e dourem por igual, até que a pele comece a borbulhar e fiquem com um tom verde-escuro ou meio dourado.
- O processo de cozimento leva tipicamente entre 10 a 15 minutos, dependendo do calor e da quantidade. Eles devem murchar e ficar macios.
- Retire os pimentões do fogo e coloque-os imediatamente em um prato de servir.
- Polvilhe generosamente com sal grosso ou flor de sal e sirva ainda quentes. Cuidado ao morder: a surpresa picante pode estar em qualquer um!
Dicas do Chef
- O refrão "uns pican e outros não" se deve à capsicina, uma substância que se concentra mais em certas plantas devido a fatores como genética, idade e exposição à luz/água.
- Alguns dizem que os pimentões maiores e de cor mais fosca (menos brilhante) têm maior probabilidade de serem picantes.
- Para uma versão mais leve, podem ser feitos no forno ou na air fryer, embora a fritura em azeite seja o método tradicional para obter a textura ideal.
- Não retire os pedúnculos; eles são essenciais para pegar o pimentão sem queimar os dedos e fazem parte da experiência de comer o petisco.
A História Picante dos Pimientos de Padrón: Da América à Galiza
Os Pimientos de Padrón, ou Pementos de Herbón sob sua Denominação de Origem Protegida (DOP), são mais do que um simples petisco; são um pedaço da história da imigração e adaptação agrícola espanhola. A sua jornada começou muito antes de se tornarem o aperitivo famoso que conhecemos hoje. A origem remonta ao século XVII, quando frades franciscanos, após missões na América, trouxeram as sementes de pimenta do que hoje seria o México, especificamente da região de Tabasco, para o convento de San Antonio, na freguesia de Herbón, pertencente ao município de Padrón, na província de A Coruña, Galiza.
Inicialmente, os pimentões trazidos eram muito mais picantes, fiéis aos seus parentes mexicanos. No entanto, o clima atlântico galego, caracterizado por menos horas de sol, maior umidade e invernos mais rigorosos em comparação com o clima de origem, forçou uma adaptação genética notável ao longo dos séculos. Essa mudança ambiental resultou na criação de um ecótipo local, a variedade Padrón, cujo sabor se tornou inconfundível: a maioria dos frutos é suave, mas uma porcentagem (historicamente entre 10% e 25%, embora possa variar) mantém o toque picante característico.
A Tradição da ‘Ruleta Gallega’ e a Capsicina
A graça inegável dos Pimientos de Padrón reside no ditado popular: “Pimientos de Padrón, unos pican y otros no”. Essa imprevisibilidade é o que os transforma em uma verdadeira “roleta russa” gastronômica. O fator que determina a ardência é a presença de compostos chamados capsaicinoides, sendo a capsicina um dos principais responsáveis pelo ardor. Curiosamente, a concentração desses compostos é influenciada por fatores como a genética da planta, a idade do fruto e, crucialmente, as condições de cultivo, como a quantidade de água e luz recebida. Pimentões que recebem mais estresse hídrico ou mais sol tendem a ser mais picantes.
A tradição de cultivo era tão rigorosa que, por muito tempo, as sementes eram transmitidas como bens parafernais, parte do dote de casamento, e nunca eram permitidas fora da zona de produção delimitada pelos rios Ulla e Sar. Essa exclusividade ajudou a preservar a qualidade e a singularidade do Pemento de Herbón, que hoje possui sua DOP. A temporada tradicional de colheita estendia-se de maio a outubro/novembro, mas hoje, com o cultivo em estufas controladas, podem ser encontrados o ano todo.
Dicas Adicionais de Expert e Usos Culturais
Como aperitivo, a preparação é minimalista para não ofuscar o sabor do pimentão. O método clássico envolve fritá-los rapidamente em azeite de oliva em fogo alto, o suficiente para que a pele enrugue e crie bolhas, e finalizar com uma pitada generosa de sal grosso. O pedúnculo deve ser mantido, pois é a maneira tradicional de segurá-los e degustá-los, mordendo a polpa e deixando o talo de lado.
- Harmonização Clássica: São o acompanhamento perfeito para pratos de carne ou peixe grelhados, mas brilham sozinhos com um bom pão rústico e, tradicionalmente, uma cerveja galega.
- Variações Modernas: Embora o simples seja o rei, eles são incorporados em tapas mais elaboradas, como os ovos rotos (ovos estrelados sobre batatas fritas) ou até mesmo transformados em geleias ou licores, mostrando sua versatilidade.
- A Festa: Para celebrar esta joia da terra, a Festa do Pemento de Padrón é realizada anualmente no primeiro domingo de agosto em Herbón, um evento declarado de Interesse Turístico da Galiza.
Saborear Pimientos de Padrón é participar de um ritual cultural que celebra a terra, a adaptação e a alegria simples de uma surpresa deliciosa.









