12 horas
1 porção
Médio
0 kcal
Ingredientes
- Para a Massa (para 1 pizza):
- 280g de Farinha de Trigo tipo 00 (ou farinha para pão de boa qualidade)
- 180g de Água morna (aproximadamente)
- 6g de Sal
- 3g de Fermento biológico fresco (ou 1g seco)
- Para a Cobertura Clássica (Margherita):
- 400g de Tomate pelado italiano (esmagado à mão)
- 100g de Mussarela de Búfala ou Fior di Latte (cortada em tiras)
- Folhas frescas de Manjericão
- Azeite de Oliva Extravirgem
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
Modo de Preparo
- Preparo da Massa: Em uma batedeira com gancho (ou à mão), misture a farinha e o fermento. Dissolva o sal em metade da água e adicione à farinha, misturando em velocidade baixa. Adicione o restante da água gradualmente até a massa soltar do bowl.
- Sove a massa vigorosamente por cerca de 10 a 15 minutos, até ficar lisa e elástica. Adicione o azeite e sove por mais um minuto para incorporar.
- Fermentação: Forme uma bola com a massa, coloque em um recipiente untado, cubra e deixe descansar em temperatura ambiente por cerca de 1 a 2 horas, ou até dobrar de volume. Depois, leve à geladeira para fermentar lentamente por, no mínimo, 8 horas (o ideal são 24h a 48h).
- Modelagem: Retire a massa da geladeira, deixe atingir a temperatura ambiente (cerca de 2 horas). Fracione (se for fazer mais de uma) e, usando apenas as mãos, abra o disco de massa, empurrando o ar do centro para as bordas para formar o 'cornicione' (borda). Não use rolo.
- Cobertura: Espalhe o tomate pelado esmagado à mão sobre a massa, deixando a borda livre. Distribua a mussarela uniformemente. Regue com um fio de azeite e tempere com sal.
- Assamento: O método tradicional exige um forno a altíssimas temperaturas (400-500ºC) por 1 a 2 minutos. Em casa, pré-aqueça o forno na temperatura máxima com uma pedra refratária ou forma de ferro dentro por pelo menos 45 minutos.
- Transfira a pizza para a pedra/forma quente e asse até que a borda esteja inflada e levemente chamuscada. Finalize com folhas frescas de manjericão e mais um fio de azeite antes de servir.
Dicas do Chef
- Para a autêntica napolitana, utilize farinha tipo '00', que tem um teor de proteína ideal para longas fermentações e alta hidratação.
- Esmagar o tomate com as mãos, em vez de liquidificar, garante a textura rústica e ideal para o molho.
- A longa fermentação a frio (na geladeira) é o segredo para uma massa leve, de fácil digestão e com sabor complexo.
- Se usar mussarela fresca, corte-a com antecedência e deixe escorrer o excesso de soro para não umedecer demais a massa.
A História Milenar da Pizza: De Pão Antigo a Ícone Global
A pizza, tal como a conhecemos hoje, é um símbolo inconfundível da Itália, mas suas raízes são muito mais profundas e remontam a civilizações antigas. A ideia de assar um pão achatado e cobri-lo com ingredientes não é uma invenção recente; ela é um conceito que atravessou milênios e continentes. Civilizações como os egípcios, gregos e romanos já preparavam variações desse alimento. Os gregos tinham o plakountos, uma massa coberta com azeite, ervas e queijo, e os romanos possuíam a picea, um conceito similar que se disseminou pela península itálica.
A palavra “pizza” em si é controversa, com registros datando de 997 d.C. em um manuscrito latino, mas o prato só começou a ganhar forma reconhecível na região de Nápoles, no sul da Itália, entre os séculos XVII e XVIII. Inicialmente, a pizza era estritamente comida de rua, um alimento barato e rápido, vendido aos trabalhadores napolitanos que precisavam de refeições fáceis de comer em movimento. As coberturas eram básicas, muitas vezes apenas azeite, alho e ervas.
O Nascimento da Pizza Moderna: A Margherita e a Realeza
A grande revolução da pizza ocorreu com a introdução do tomate, trazido das Américas, e o desenvolvimento do queijo mozzarella (especialmente o de leite de búfala) na região da Campânia. Foi em 1780 que a primeira pizzaria napolitana moderna, a Pietro, abriu suas portas. No entanto, o momento mais icônico e definidor da pizza ocorreu em 1889, durante a visita do Rei Umberto I e da Rainha Margherita de Saboia a Nápoles.
Cansada da alta gastronomia francesa, a rainha pediu para experimentar as especialidades locais. O renomado pizzaiolo Raffaele Esposito, da Pizzeria Brandi (sucessora da Pietro), foi convocado para criar algo especial. Ele preparou três variedades, mas a que conquistou a monarca foi aquela que homenageava as cores da bandeira italiana: o vermelho do tomate, o branco da mussarela e o verde do manjericão. Assim nasceu a Pizza Margherita, um clássico que elevou um prato camponês ao status de patrimônio nacional.
Curiosidades e a Expansão Global
- Pizza Siciliana Raiz: Diferente da versão que conhecemos hoje, a pizza tradicional da Sicília, muitas vezes, não levava mussarela, pois o leite de vaca não era tão acessível na ilha. Em vez disso, ela era finalizada com farinha de rosca por cima dos ingredientes.
- A Pizza no Brasil: O Brasil é um dos maiores consumidores de pizza do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A pizza chegou com os imigrantes italianos e se adaptou de forma única. Enquanto a napolitana preza pela simplicidade, a versão paulistana é conhecida por suas bordas discretas e recheios fartos, como calabresa com cebola ou frango com catupiry, mostrando a paixão nacional por coberturas abundantes.
- Detroit Style: Nos EUA, a pizza se diversificou enormemente. A versão Detroit Style, retangular e alta, é assada em formas de ferro fundido (originalmente usadas na indústria automobilística) e se destaca pela crosta grossa e queijo caramelizado nas laterais.
A pizza continua sendo um prato em constante movimento. Embora a tradição napolitana exija regras estritas de preparo e cozimento em forno a lenha por poucos minutos, a beleza deste prato reside em sua adaptabilidade. Seja na sua forma mais pura e respeitada ou em versões criativas com abacaxi, curry ou até sushi, a pizza é um espelho das culturas que a acolhem, mas seu coração sempre baterá em Nápoles.









