12 horas e 10 minutos
6 porções
Elaborado
0 kcal
Ingredientes
- 400 g de Farinha de força
- 15 g de Levadura prensada (ou 5-10g de seca, ajustando conforme a estação)
- 1 Ovo
- 150 g de Água (ligeiramente aquecida)
- 120 g de Açúcar
- 1 pitada de Sal
- 125 g de Manteca de porco (ou manteiga, para untar generosamente as camadas)
- Açúcar glas para polvilhar
Modo de Preparo
- Prepare a levedura: Aqueça ligeiramente a água e dissolva nela a levedura.
- Na batedeira ou em uma tigela grande, coloque a farinha, adicione a água com a levedura, o ovo batido, o açúcar e o sal.
- Amasse por cerca de quinze minutos, até obter uma massa lisa e elástica. Se for manual, faça pausas para não superaquecer a massa.
- Forme uma bola com a massa, coloque-a em um recipiente untado com óleo e deixe crescer até dobrar de volume (pode levar de 1 a 2 horas, dependendo da temperatura).
- Retire o ar da massa, amasse levemente e divida-a em seis porções iguais.
- Trabalhe cada porção individualmente: estique-a muito bem com um rolo até que fique fina, quase translúcida (algumas fontes sugerem esticar com as mãos até formar um véu fino).
- Unte cada pedaço de massa esticada de forma muito generosa com a manteca de porco (ou manteiga).
- Enrole a massa esticada e untada, formando um rolo longo.
- Deixe os rolos de massa descansarem até que percam a tensão (aproximadamente 1 hora).
- Dê a forma característica de caracol (espiral) a cada rolo, colocando-os separadamente em uma assadeira coberta com papel manteiga.
- Deixe as ensaimadas levarem novamente. Este passo é crucial e pode durar de 8 a 10 horas, permitindo uma fermentação lenta.
- Preaqueça o forno a 200ºC (ou 180ºC, dependendo da fonte) e asse por cerca de 10 a 15 minutos, até que fiquem douradas.
- Retire do forno e, enquanto ainda estiverem quentes, polvilhe generosamente com açúcar de confeiteiro.
Dicas do Chef
- O tempo de levedura é o segredo: em climas mais frios (inverno), pode ser necessário usar um pouco mais de fermento ou deixar levedar por mais tempo.
- A generosidade na aplicação da manteca entre as camadas é o que garante as famosas 'folhas' da ensaimada após assar.
- Para facilitar o manuseio da massa, que é muito elástica, unte as mãos e a bancada com óleo em vez de farinha ao esticá-la.
- Se desejar rechear, faça-o antes de enrolar a massa no formato de caracol, utilizando recheios como creme de ovos ou doce de abóbora ("cabello de ángel").
A Ensaimada Mallorquina: Um Doce com História e Sabor
A Ensaimada é, sem dúvida, o produto de pastelaria mais emblemático da ilha espanhola de Maiorca (Mallorca). Este pão doce, com sua forma espiralada que lembra um caracol, transcende a simples culinária, carregando consigo séculos de história e tradição da gastronomia balear. O próprio nome já entrega seu segredo mais guardado: ensaïmada deriva do termo catalão/mallorquino saïm, que significa manteca de porco, o ingrediente essencial que lhe confere sua textura única, leve e folhada.
História e Origem Fascinante
Embora a origem exata da ensaimada permaneça um tanto incerta, a maior parte dos historiadores aponta para uma forte influência árabe na ilha, anterior à reconquista cristã no século XIII. Os árabes tinham uma tradição avançada em confeitaria, e técnicas de manipulação de massas ricas em gordura podem ter sido adaptadas pelos habitantes locais ao longo do tempo. As primeiras referências escritas concretas sobre a ensaïmada de Mallorca datam do século XVII. Naquela época, mesmo com o trigo sendo primariamente destinado à produção de pão, este doce já era preparado para festividades e celebrações importantes.
No século XVIII, o consumo da ensaimada começou a se popularizar entre as classes média e alta, tornando-se uma iguaria habitual para acompanhar o chocolate quente nas tardes. Sua difusão fora da ilha ganhou força notável no século XIX, sendo mencionada em livros de viagem e tratados de culinária, solidificando sua imagem como um produto típico de Maiorca.
Curiosidades e Tradições
A autenticidade da Ensaïmada de Mallorca é tão valorizada que existe uma Indicação Geográfica Protegida (IGP) que garante que os produtos com este selo foram elaborados seguindo os métodos tradicionais e provêm da ilha. A receita clássica é simples, focada na qualidade da farinha de força (rica em glúten para suportar o longo estiramento) e na banha. Originalmente, a ensaimada era vendida “lisa”, ou seja, sem recheio, apenas polvilhada com açúcar de confeiteiro.
- Variações de Recheio: Embora a tradição seja simples, o século passado viu o surgimento de recheios populares. O “cabello de ángel” (doce feito da polpa da abóbora-doce, conhecida no Brasil como chila ou gila) é um dos mais tradicionais, juntamente com o creme de ovos e a nata.
- A Influência da Temperatura: A quantidade de fermento fresco utilizada varia conforme a estação do ano. No inverno, com temperaturas mais baixas, é necessário usar mais fermento para garantir a correta fermentação lenta.
- O Ritual do Descanso: O processo de preparo é longo e lento, envolvendo múltiplas fases de descanso (levedura), que podem totalizar mais de 15 horas. Este tempo é essencial para desenvolver a estrutura aerada e a leveza características do doce.
Dicas Adicionais de Expert
Para replicar a textura que quase derrete na boca, o padeiro deve dominar a arte de esticar a massa até que se torne um véu fino, quase transparente, antes de aplicar a banha e enrolar. Se a massa romper um pouco durante o estiramento, não se preocupe; a gordura preencherá as lacunas durante o cozimento, mantendo a integridade da espiral. Para os amantes de um sabor mais intenso, a adição de raspas de laranja à massa é uma variação que realça o aroma cítrico, harmonizando perfeitamente com a riqueza da banha. A Ensaimada é um verdadeiro testemunho da paciência e da riqueza da panificação mediterrânea.









