40 minutos
6 porções
Fácil
350 kcal
Ingredientes
- 1 kg de peito de frango cortado em cubos ou tiras
- 1 colher (sopa) de suco de limão (opcional)
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- 2 colheres (sopa) de farinha de trigo (ou fécula de batata)
- 2 colheres (sopa) de azeite ou óleo
- 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
- 1 cebola média picada finamente
- 2 dentes de alho picados
- 6 colheres (sopa) de ketchup tradicional
- 2 colheres (sopa) de mostarda (tipo dijon ou amarela)
- 2 colheres (sopa) de extrato de tomate (ou polpa de tomate)
- 1 colher (sopa) de molho inglês (Worcestershire sauce)
- 1/2 xícara (chá) de caldo de galinha ou água (120 ml)
- 200g de champignon em lâminas (fresco ou em conserva)
- 2 a 3 caixas de creme de leite (400g a 600g)
- Batata palha para acompanhar
- Arroz branco para acompanhar
Modo de Preparo
- Tempere o frango: Em uma tigela, coloque os cubos ou tiras de frango. Tempere com sal, pimenta-do-reino e o suco de limão (se usar). Se desejar, adicione a farinha de trigo e misture bem para que todos os pedaços fiquem envoltos. Reserve.
- Doure o frango: Em uma panela grande ou frigideira funda, aqueça o azeite e a manteiga em fogo médio-alto. Adicione o frango em porções, sem amontoar, para que doure por igual e não solte muita água. Doure todos os lados e reserve o frango em outra tigela.
- Refogue os aromáticos: Na mesma panela, adicione mais um pouco de azeite, se necessário. Refogue a cebola picada até ficar translúcida, raspando o fundo da panela para soltar os "queimadinhos" que dão sabor. Acrescente o alho picado e refogue por mais 1 minuto.
- Prepare o molho base: Adicione o ketchup, a mostarda, o extrato de tomate e o molho inglês à panela. Misture bem e cozinhe por cerca de 2 minutos, mexendo sempre.
- Incorpore o frango e o caldo: Volte o frango dourado para a panela. Despeje o caldo de galinha (ou água) e misture, deixando ferver para apurar os sabores e engrossar levemente.
- Adicione os champignons e o creme de leite: Acrescente os champignons em lâminas. Por último, adicione o creme de leite e misture delicadamente. Cozinhe em fogo baixo por mais 2 a 3 minutos, apenas para aquecer e incorporar, sem deixar ferver vigorosamente para não talhar o creme.
- Ajuste os temperos e sirva: Prove e ajuste o sal e a pimenta-do-reino, se necessário. Retire do fogo e sirva imediatamente, acompanhado de arroz branco soltinho e batata palha.
Dicas do Chef
- Para um frango mais macio e dourado, tempere com antecedência e seque bem os pedaços antes de levá-los à panela. Doure em pequenas porções para não abaixar a temperatura da panela e cozinhar em vez de fritar.
- Se não quiser usar farinha de trigo, pode omitir ou usar fécula de batata na mesma quantidade para ajudar a engrossar o molho.
- Evite ferver o creme de leite em fogo alto depois de adicioná-lo ao molho para que não talhe. Apenas aqueça suavemente até incorporar.
- Para um sabor mais complexo, você pode adicionar um toque de conhaque na etapa de dourar o frango, flambando-o para evaporar o álcool.
- Experimente adicionar outros temperos como páprica doce ou picante para um toque extra de sabor.
O Estrogonofe, um nome que evoca aconchego e sabor para milhões de brasileiros, possui uma história rica e fascinante que remonta à Rússia imperial do século XIX. Longe de ser uma invenção recente, este prato clássico nasceu em um contexto de sofisticação e influências culturais, tornando-se um verdadeiro embaixador da culinária russa que viajou o mundo e se adaptou a inúmeros paladares.
A Origem Aristocrática na Rússia dos Czares
A teoria mais amplamente aceita sobre a origem do estrogonofe aponta para a família Stroganov (ou Strogonov), uma influente e rica linhagem de São Petersburgo. Acredita-se que o prato foi criado por um chef francês que trabalhava para essa nobre família, possivelmente para o Conde Pavel Alexandrovich Stroganov. Embora algumas lendas sugiram que o chef Charles Briere o tenha criado em 1891 para uma competição culinária, registros indicam que uma receita com o nome “stroganov” já existia em um livro de receitas russo de 1861, “Um Presente para Jovens Donas de Casa”. Isso sugere que o prato pode ter tido uma evolução gradual, com o chef francês talvez aprimorando uma base já existente.
A receita original russa era bem diferente da versão que conhecemos hoje. Geralmente, era feita com tiras finas de carne bovina (filé mignon era o ideal), cebola, mostarda e smetana, um tipo de creme azedo russo. Não havia ketchup, molho de tomate ou champignon nas primeiras versões. O prato era servido com acompanhamentos como purê de batata, salada de repolho, tomate e picles, e não com o clássico arroz e batata palha que se tornaram sua marca registrada no Brasil.
A Jornada Pelo Mundo: Da Europa aos Estados Unidos
A popularização do estrogonofe fora da Rússia ocorreu principalmente após a Revolução Russa de 1917. Com a fuga da nobreza russa para outros países europeus, a receita viajou com eles, chegando a lugares como a França. Foi na Europa que o prato começou a sofrer suas primeiras adaptações. Na França, por exemplo, a adição de champignon tornou-se comum, e a culinária francesa contribuiu para refinar a técnica e a apresentação do prato, mantendo sua pompa.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o estrogonofe ganhou uma nova onda de popularidade. Soldados russos, que carregavam carne salgada e conservada em aguardente, fritavam-na com cebola e adicionavam smetana. Essa praticidade e o sabor reconfortante ajudaram a difundir o prato. Nos Estados Unidos, o estrogonofe sofreu uma grande transformação, incorporando ingredientes como creme de leite e ketchup, que se tornariam elementos quase indispensáveis na versão que viria a ser popular em outras partes do mundo.
O Estrogonofe no Brasil: Um Amor Nacional
Foi no Brasil, contudo, que o estrogonofe encontrou seu verdadeiro palco e um tempero único, tornando-se um dos pratos mais amados e aclamados do país. Acredita-se que o estrogonofe tenha chegado às terras brasileiras por volta dos anos 1950, mas foi nos anos 70 que se popularizou e se tornou sinônimo de sofisticação e festa, presente em celebrações e jantares especiais. A versão brasileira se distingue por ser mais cremosa, com um molho mais encorpado e a inclusão de ingredientes como o extrato de tomate, que acentuam a cor e o sabor.
O que realmente selou o estrogonofe como um prato nacional foi a combinação inseparável com arroz branco soltinho e a icônica batata palha. Essa tríade se tornou um clássico das mesas brasileiras, elevando o prato de uma iguaria russa a um verdadeiro prato de conforto e nostalgia. A versatilidade do estrogonofe também contribuiu para sua popularidade, com variações que vão muito além da carne bovina, incluindo estrogonofe de frango (o mais comum), de camarão, de cogumelos e até versões vegetarianas com palmito.
Curiosidades e Adaptações Culturais
- Nome e Pronúncia: A palavra “estrogonofe” é a aportuguesamento do russo “stroganov”, em homenagem à família. No Brasil, a pronúncia e a grafia se adaptaram, mas a essência do prato permaneceu.
- Ingredientes Chave: Enquanto a smetana russa era o ingrediente original para a cremosidade, no Brasil, o creme de leite de caixinha ou lata se tornou o substituto padrão, facilitando o preparo e adaptando-se ao paladar local.
- Prato Versátil: O estrogonofe é um exemplo perfeito de como um prato pode evoluir e se adaptar culturalmente. De um prato aristocrático russo, ele se transformou em uma refeição acessível e amada em diversas camadas sociais, capaz de ser ao mesmo tempo nobre, simples e nostálgico.
- Lendas Urbanas: Existem até lendas urbanas divertidas sobre a origem do estrogonofe no Brasil, como a história de um rei egípcio que, faminto no Rio de Janeiro, pediu algo diferente e um garçom improvisou com ingredientes locais, batizando-o de “estrogonofre”. Embora seja uma anedota, ela ilustra o carinho e a apropriação cultural do prato pelos brasileiros.
Hoje, o estrogonofe de frango é um prato que transcende gerações, um verdadeiro clássico que continua a ser reinventado e apreciado, mantendo viva a sua rica herança cultural enquanto celebra o sabor e a criatividade da culinária brasileira. É a prova de que a boa comida não tem fronteiras e pode criar laços afetivos em qualquer parte do mundo.









